Thursday, December 06, 2001

Na Folha de São Paulo de ontem, saiu um texto do Rubem Alves (educador, psicanalista, escritor e professor emérito da Unicamp) sobre a atual (e de quase sempre) condição das escolas brasileiras. Poderia reproduzir o texto inteiro, mas é muito grande. Aqui vai alguns trechos:
"...Há escolas que são gaiolas. Há escolas que são asas. Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a voar...são pássaros sob controle.(...) Deixaram de ser pássaros. Porque a essência do pássaro é o vôo.(...) Escolas que são asas(...)amam os pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar.(...)O vôo não pode ser ensinado, apenas encorajado."
"Violento, o pássaro que luta contra os arames da gaiola? Ou violenta será a imóvel gaiola que o prende?"
"A inteligência é um instrumento do corpo cuja função é ajudá-lo a viver. Nietzsche dizia que ela era 'ferramenta' e 'brinquedo' do corpo.(...)Ferramentas são conhecimentos que nos permitem resolver problemas vitais do dia-a-dia. Brinquedos são todas aquelas coisas que, não tendo nenhuma utilidade como ferramenta, dão prazer e alegria à alma. Nessas duas palavras está o resumo da educação. (...)São asas."

Não é preciso falar mais nada, né?

Wednesday, December 05, 2001

ultimamente

Hoje me acordei com uma vontade louca de jogar tudo pela janela, mas confesso que acabei desistindo da idéia pelo fato de morar numa casa térrea, não num prédio, o que certamente ia quebrar todo o efeito visual pretendido, de folhas, discos, roupas, quadros, televisão, livros e pratos de porcelana voando pelo espaço e caindo na calçada, sete ou oito andares abaixo, sobre espectadores perplexos e bem comportados que passavam pela rua em direção ao trabalho naquele instante. Não, não estou de mudança, nem hoje era o dia da faxina. só queria causar um pouco de impacto naquelas retinas curvadas, sérias, comprometidas e desacostumadas a se permitirem um ato gratuito de magia entre as refeições do dia. retinas que me vigiam, tão decididas, admiravelmente bem sucedidas e complacentes com a minha imaturidade peculiar. tem dias que eu me comporto, mas confesso que não consigo ficar lá embaixo por muito tempo, esperando que alguém do sétimo ou oitavo andar, tenha a idéia absurda de jogar coisas pela janela só para me provocar.
Eu detesto - aliás, eu odeio - climas ruins no telefone. Principalmente com alguém que eu gosto. É claro que se voce briga com uma pessoa feio, no outro dia se voces se falam é complicado tudo voltar ao normal. Se voltar ao normal, é porque voce não brigou feio. Ou porque os sentimentos não eram tão intensos.

De qualquer forma, com o tempo, tudo volta. Voltei a falar com meu amigo Dudu, depois de um longo tempo. Cara gente boa, inteligente. Seus princípios éticos são diferentes dos meus, só isso. É claro que isso faz com que ele faça coisas que eu não gosto de vez em quando. Mas eu tb devo fazer coisas que ele não curte...Eu amo ele.

E agora com você, garota, eu vou tentar. Eu não prometo nada, você não promete nada.. Nós não prometemos nada. Mas eu desejo - e acho que você deseja também - que as coisas voltem a ser como foram um dia. Vamos torcer pra elas darem certo, que tal ? =)

Tuesday, December 04, 2001

Humanistas

Legal essa rede. O novo Avatar. É possível criar todos os tipos de especulações do por que e para que serve a Internet. Alguns transpiram o esoterismo Zen. Liberte a mente que seus dedos teclarão como uma ave de rapina voa para degustar a carniça. Liberte a mente, solte as amarras e destrave seu coração. Estamos na hora da verdade.


Meus pensamentos não são nada esotéricos. Gosto da complexidade simplista da arte Zen. Não há nada mais Hacker do que a capacidade espiritual de difusão do conhecimento. Aliás, o conhecimento sempre existiu. Abra a mente para entrar. Esta é a grande promessa da rede.


Mas por que a promessa? E não realidade? Um aspecto um tanto lingüístico. É ou não é. Sim, a Internet é uma realidade, mas é uma promessa de liberação do espirito. Liberdade ainda que tarde, pois se demorar muito para o ser humano entender que o mundo tem que mudar, não sobrará viva alma para apagar a luz.


Acendamos a vela. Luz para iluminar as cabeças insanas. Ou será que sou eu o louco? Eu apenas vejo algumas possibilidades de transformação. E não vejo motivos de ser taxado como meshiguine. Prefiro ser taxado como futurólogo, visionário e até sonhador. Afinal, quero “viver ... E não ter a vergonha de ser feliz..."


Einstein diz: “A imaginação é mais importante do que o conhecimento”. Imaginar que existe uma saída honrosa para a humanidade é melhor do que esperar o fim do jogo. Deixar a calota polar derreter, aumentar o buraco na camada de ozônio, desmatar a floresta amazônica, destruir as vidas inocentes pela fome, frio, terror, ataques militares, intolerância e todo o fel que corre pelo canto da boca dos líderes que crêem apenas na sua própria existência e inteligência de apartar o rebanho.


Pois aconteceu a Internet. Nova forma de conversação. Pessoas conversam com pessoas. Pessoas ficam muito mais inteligentes, mais imaginativas, mais donas do seu próprio nariz e distantes dos seus umbigos egoístas. A palavra é colaboração. A idéia é um novo bom senso. As pessoas acreditam que existe outras fórmulas de estabelecer um relacionamento. As percepções se transformam. O ser digital prefere encarar o mundo sob um novo enfoque. Liberdade, Igualdade e Fraternidade. A velha ladainha da Revolução Francesa nunca foi tão real. Para atender a essa tríade queremos mais: o conhecimento livre.


Nada esotérico. Nada espiritual. Não me parece um desígnio dos deuses. Penso que é a evolução normal da humanidade. Temos uma tecnologia que facilita a democratização do conhecimento e das relações com o poder. Não precisamos mais esperar que os grandes líderes cavalguem para as batalhas. Podemos trocar informações no micro mundo e deliberar novas alternativas que num passeio pela democracia atingirá um numero maior de simpatizantes. Pois é, um debate real existe num espaço digital. Internet é de verdade, não é apenas mais um vídeo game.


Mas que parece uma brincadeira. Isso parece! Acho que faz parte do futuro. O trabalho se funde ao lazer. Trabalhamos como jogamos vídeo game, e jogamos vídeo game para aprender a trabalhar. Pense: a nossa educação está cada vez mais sob a equação do acerto e erro. E nisso o vídeo game tem ensinado muito às crianças, assim como, o próprio computador.


Essa é a promessa da rede. Elevar o homem a uma dimensão distinta. Onde os traços do passado sejam encarados como base estrutural da sociedade. Mas passível de transformação. Nem sempre fomos capitalistas, industrialistas, gerencialistas e especialistas. Ainda dá tempo de sermos humanistas.

Ontem assisti "Lendas da Vida" [de Robert Redford, EUA/2000]. falar mal do que eu não gostei ou não estava preparado para encontrar não faz muito sentido, acho que tudo tem o seu tempo, a sua intenção, mesmo que para isso, seja utilizada a mesma fórmula de sempre: um grande amor, um grande perdedor, um grande amigo, um garotinho brilhante e a superação de toda uma vida de desatenções em apenas um golpe do destino. mas é preciso entender que a vida dos personagens de ficção são muito breves, e por este motivo, é realmente possível que um simples torneio de golfe tenha o poder de superar todas as frustrações de um encontro onde um dos envolvidos não tenha tomado os devidos cuidados para fazer por merecer aquele momento. de resto, o filme só tem personalidade própria mesmo, quando a descrição precisa do quanto é estar bêbado o bastante é respondida para o garotinho brilhante:

" a pergunta que me foi feita, é quanto é estar bêbado o bastante. a resposta: é uma questão de número de células no cérebro. cada dose que você toma, mata mil células. mas tudo bem, pois temos bilhões de outras. primeiro morrem as células da tristeza, e você ri muito. então as células do silêncio morrem, e você fala auto, sem um motivo. mas tudo bem, pois as células da sua estupidez morrem e você só diz coisas inteligentes. e por fim, vêm as células da memória. essas desgraçadas são duras de matar. "

Agora descobri porque quem bebe demais ri tanto, grita muito, salva o mundo em cinco minutos e fica tão chato antes de começar a chorar.